O diabo veste o futebol

Curiosa a história que disseminam por aí de que o rival amado pela mídia é detentor de uma estrutura invejável e que possui projetos e planejamentos fabulosos. E mais curioso ainda é que muito tanso acredita. Muito gente que se diz formada, com curso superior, vejam só, de onde se presume ter uma percepção mais crítica e apurada do mundo ao redor, diz que tudo isso é verdade. Para mim, ou é ingenuidade absoluta, ou má-fé. Estou propenso a acreditar na segunda opção.

Pois o que fizeram estes projetos no começo da primeira década do milênio deslancharem noladelá? Foram os investimentos assombrosos injetados em seu patrimônio e na formação de vários times de futebol, com o senhor Paulo Prisco Paraíso encabeçando os trabalhos. Ganhou tudo o que pode com muito e muito dinheiro sob o título de projeto. Muitas vezes mais do que se pensa ter entrado na Ressacada no mesmo período.

Até o dia em que a fonte secou. Até o dia em que houve a intenção da partilha. Até o dia em que os investidores disseram que agora era a hora da volta, da recuperação do que foi investido. O diabo querendo a alma vendida. Natural e comum na maioria dos clubes por aí.

O que aconteceu, então, foi um declínio avassalador. Uma queda para a série B e uma revisão dos tais projetos, ou seja, ir atrás de outro financiador. O senhor Nestor Lodetti nunca teve bala na agulha para financiar clube algum, então, a coisa seria no amor e na boa vontade, presumia-se. Foi feito um movimento bacana agregando a torcida de lá, para dar respaldo político à mudança e a coisa andou. E aí surgiu a figura do senhor Wilfredo, que passou a bancar o novo “projeto” doladelá, diga-se, injetou dinheiro. Até quando isso? É o que a torcida se pergunta nos lados da Rua Humaitá. Por enquanto, dependendo da quantidade de água na fonte, o negócio vai de vento em popa. Está tudo dando certo. O “projeto” é bom.

Pois, por mais estranho que isso possa parecer para o reino da virgindade, isso é prática comum em todos os clubes de futebol profissionais, a presença de um mecenas, de um investidor, de alguém que ponha muita bufunfa nos clubes. E recuperar depois.

Pode-se discutir se é correto e eu diria que a meceno-dependência é danosa, pois tolhe a capacidade de arregimentar recursos definitivos para o clube. Pergunte-se se é legal e eu afirmo que a legislação não diz nada a respeito contra, desde que os devidos balancetes sejam aprovados pelos respectivos conselhos fiscais.

Pode-se até contestar se é ético, e eu, embora tenha meus pruridos ideológicos, não vejo outra saída para um clube se financiar em sua trajetória de vida, desde que não haja outra saida.

Porém, que ninguém nos venha com discursinho falso moralista, de que o presidente Zunino não deve por dinheiro no Avaí por amadorismo. O futebol no Brasil vive exatamente assim, de seus investidores e mecenas, quando não um patrocínio fabuloso por uma empresa famosa, por alguém abonado e abnegado.

A estrutura montada em nosso futebol desde a criação da Lei Pelé é exatamente essa. Lamente-se pela venda das almas obrigatórias ao diabo, mas posar de bom mocismo desenganado eu não aceito.

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