Rascuhos de razão

Há uma postura de alguns torcedores que acho curiosa. Pedem, exigem, vaiam e xingam, porque se acham no direito. Mas na hora de assumir as coisas…

– Pô, eu pago aí as minha mensalidade, tá ligado, tenho us meu dereito, aí.

– Esse Zunino aí num manda nada e deixa os otros mandar nele.

Tudo bem, todo mundo tem direitos a exigir. Na grande, imensa e absurda maioria das vezes, a voz do povo, a chamada opinião pública realiza milagres. Altera protocolos e até muda governos. É o Estado Democrático. Excelente! Mas, e na hora de assumir as suas responsabilidades, também não manda nada, neguinho?

Sei de muito torcedor, que hoje chuta o balde, pedindo jogador A ou B a todo momento, ou jogador que possua alguma referência ou história no futebol, que quando o jogador que ele pediu entra em campo e não joga ele põe imediatamente a culpa no vizinho, no motorista do ônibus, no policial e tudo acaba no Zunino. Alguém tem que leva a culpa, pois ele, o torcedor cheio de direitos e razões, jamais.

A famosa frase “time qualificado” é o que mais se ouve. Todo mundo quer time qualificado, mas dizer de onde vem o dinheiro, jamais.

– Te vira aí, ô, presidente. E nada de botar dinheiro do bolso, hein, pois isso é amadorismo.

Time qualificado hoje, no mundo, é o Barcelona e mais ninguém (ah, esqueci, e o doladelá também). Qualquer um outro por aí é coadjuvante e estamos conversados. Quem sabe se traga o Neymar e o Messi juntos para qualificar o time? É garantia de sucesso?

Pra começar, qual era o time qualificado do Avaí em 2008 e 2009 e um pedaço de 2010 que tanto se canta e decanta? Qual destes jogadores, que nos deram alegrias, é hoje referência no futebol nacional, capaz de compor uma seleção de craques eterna? Tirando o Émerson, que está no Coritiba, não vejo mais ninguém. Jeff Silva? Válber? Por onde anda Vandinho? Ferdinando, serve? Até o nosso ídolo Marquinhos Santos, que jogaria manco e com barriga de chope no time atual, não se aprumou no Grêmio. Então, que história é essa? Prova que essa questão é relativa. A gente apita pra onde o nariz aponta, essa é a verdade.

Time que vence é que é bom. Time ruim é o que perde. Tivesse o Avaí ganhado o clássico e tirado o título dos outros com esse jeito marombeiro de jogar e agora as donzela corneteiras com temperamento epiléptico estariam arrumando outro bode a expiar. Nesse momento estão em masturbações coletivas umas nas outras, rindo alopradamente porque as suas certezas (?) deram certo. Prova evidente que são 171 assumidos.

O Mica, que jogava no Criciúma, era matador apreciado pelas torcidas do Estado devido às faltas que cobrava. Chutou duas no Avaí, errou e ninguém quer vê-lo pintado na frente. O Pirão era considerado um excelente lateral. Ouvi, no ano passado, muita gente dizer que Romano, Fernandinho e Pará não jogavam a bola do Pirão. Outros sentiam saudades do Eltinho e hoje nem banco é mais lá no Coritiba.

– Como é que um clube como a Chapecoense faz time e nós, não?

Era o que se perguntava na Ressacada no ano passado. Estou mentindo? Pois trouxeram os principais caras da Chapecoense, junto com o próprio treinador. O Neilson é execrado absolutamente pela torcida. Como dizem os camaradas no AvaíNet, fazia gols de assopro. No Avaí não faz. Mas não queriam o cara? Não era matador?

Vou gastar o servidor deste blog com exemplos. E com isso não estou querendo dizer que se dever reverenciar jogar que perde gols ou goleiro que toma frangos. A coisa é mais complexa, algumas delas sem explicação. Mas o que se deve ter em mente é que se a cada partida se fizer um time novo e novas contratações, a coisa não anda. E que se pare, definitivamente, de olhar para os quintais alheios. Que isso sirva de lição ao seu Mauro Ovelha e ao presidente do Avaí, que parem de escutar a mídia e os abobados ixpecialistas, pois o que eles querem é farra.

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3 comentários sobre “Rascuhos de razão

  1. Blz Aguiar, tá tudo muito bonitinho e certinho no Avaí, mas onde tá o “pulo do gato”? Só vejo uma saída, botar esses jogadores a treinarem como loucos, dá um tempo nas piscinas relaxantes, dar um tempo de concentrações em bons hotéis, dar um tempo de passar a mão na cabeça de neguinho que sai pra farra e volta na boa e joga como titular…enfim, dá exemplos de penalizar quem não cumpre as regras pra não perder o respeito e a moral, senão acontece o que vimos domingo: Time sem identidade, sem muita qualidade, sem objetividade, sem muitas outras coisas.
    Abs.

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  2. Vou te contar uma boa. O homem do sapato, que tanto chamava o Ovelha de retranqueiro, descobriu que ele, Ovelha, faria o que aquele – o do sapato – havia pedido. Abriu o time. Mudou o esquema. Motivo para elogio ao Mauro Ovelha, certo? Errado. O homem do sapato saiu-se com essa: “o treinador não tem convicção! deve ter sido pressionado, pipocou, etc etc.” Aí, como ele diz, “não me aposento com bom salário!”. hehehe.

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