Jogar feio ou bonito?

A principal bronca no Sul da Ilha, para quem entende de futebol, é que o Avaí joga feio. Ou, ao menos, que seu técnico gosta deste tipo de futebol.

Não sei como iniciou a história de que futebol deve ser jogado com arte. Talvez pela nossa síndrome de baixa estima, depois que perdemos para um time de brucutus da Itália na Copa de 1982, na Espanha. Então, alguém (ou alguéns) decidiu que aquele futebol que foi campeão era feio e agressivo aos olhos, e que o bonito mesmo era o de Zico, Sócrates e Falcão. E o de Pelé, Gerson e Tostão. E o de Garrincha, Didi e de Pelé, e…

O fato é que a Estética quer sobrepor a Estatística. Porque, tenho quase plena certeza, os times de futebol no mundo que mais venceram foram os que jogaram feio. Ou, ao menos, os que jogaram com o resultado lhes favorecendo, não importando se com dribles magistrais ou não. Sem espetáculo, mas com objetividade. E são, em sua maioria, europeus.

Os europeus não têm esta pretensão. Enquanto nós, latinos, optamos pela firula, pela Estética, pelo lado agradável da vida, eles unem o útil ao prático. Até optam pela arte, mas preferem ganhar jogos.

Só para se ter uma idéia o Brasil, tido como o país do futebol, pois ganhou 5 Copas do Mundo, venceu duas delas jogando ao estilo do Velho Mundo, em 1994 e em 2002. Os outros mais vencedores, Itália e Alemanha, jogaram à européia mesmo, sem qualquer vergonha disso.

No futebol jogado no Brasil, depois que a Globo pasteurizou o futebol, cada vez mais vamos nos adaptando a este estilo marombado de jogar, com atletas anabolizados, marcações ferrenhas e chutões arrasadores, além de carrinhos, encontrões e cabeçadas uns nos outros. Por que? Em razão do calendário apertado, que submete os times a competições variadas e sem tempo a perder.

Porém, ninguém nos garante que no passado tivemos campeonatos onde só o jogo dos deuses era aplicado. Alguém lembra como foram os camponatos ganhados pelo Avaí na década de 1940? De 1950? Na década de 1960, houve quantos olhos em lágrimas ao assistir a uma partida cinematográfica? Aliás, os jogos bonitos e bom de se ver são contados nos dedos de uma mão apenas.

Durante os anos de penuria na série B, diziamos que não importava jogar bonito, bastava meio a zero, gol de bunda, aos 47 do 2o. tempo que já estava bom. Se alguém disser ao contrário, mente. Por isso que esse discurso pueril, de que o Avaí deve jogar bonito, que os brucutus devem sair de campo é balela. O Avaí está apenas fazendo o que a maioria faz, sem ser maior ou melhor, nem pior ou diferente. O que ele deve ser é eficiente. Ganhar os jogos decisivos. Dando bico, carrinhos ou arrancando toiceiras da grama, o que importa são os três pontos. E o caneco na prateleira.

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