Na arena do medo

Quando eu digo que cabeça vazia é oficina do diabo, estou coberto de razão. Com a falta de futebol, agora a pontaria está endereçada aos projetos do Avaí, que são a construção da tal arena e o contrato com o BMG.

Todo mundo sabe, e acho muito estranho que apareçam inocentes (ou sabidões) nesse assunto, que o Avaí planeja construir uma arena há muito tempo. Isso não é novidade alguma. Eu já vi o projeto, maquetes, já saiu na internet, enfim, é assunto mais velho que a Arca de Noé. Tenho dúvidas é em relação à exeqüibilidade dele, em função do alto custo e das conformidades a longo prazo. Mas o projeto existe e é real. Não existe nada nebuloso, obscuro ou sem dados a mais a esclarecer. Basta ir à Ressacada que, por acaso, é a sede do Avaí, e pedir esclarecimentos.

O que acho curioso é o MEDO cuspido e escarrado inerente a isso. Está-se admitindo que o presidente do Avaí vai transformar um projeto, que é destinado à comunidade avaiana, para ganhos pessoais, que vai fazer da arena e da área a ser construída uma extensão de sua empresa ou de sua família. Primeiro que alucinação tem cura. Não consigo aceitar que pessoas sérias e inteligentes pensem assim. Segundo que, para isso, para esta suposta falcatrua, é preciso mudar um monte de coisas, principalmente plano diretor da cidade, constituição financeira do projeto, estatuto do clube e coisas mais específicas. Isso não é assim, de uma hora para outra, que ocorre. Há gente que sabe disso, mas está dando uma de João-sem-braço.

Se houver suspeitas, basta o sujeito ir ao Ministério Público e protocolar uma investigação a respeito disso. Vá ao fórum da Capital, procure os órgãos competentes e faça isso. Não paga nada e a Constituição lhe garante. Melhor do que sair por aí levantando fantasmas. Pense um pouco na bobagem que está dizendo.

E tem mais, para que uma arena deste porte seja viável, ou melhor, que os investimentos surjam, é preciso que haja contrapartidas. É necessário que o consórcio de empresas envolvidas receba algo em troca, como a construção de um shopping e de hotéis, explorando a área. É nisso que ponho dúvidas quanto à viabilidade, não sobre a moral de alguém. Além do mais, o estádio deverá ser utilizado para outras atividades, diferentes do futebol, para ser financiado. Ou alguém acha que uma arena, em qualquer parte do mundo, não funciona assim? Se o Avaí tem que crescer, será assim, ampliando o seu patrimônio. Quem sabe se imagine que para crescer o Avaí deva fazer um super-time para ganhar do Marcílio Dias ou do Camboriu de 10 a zero?

A dúvida levantada, pelo que eu vejo, não está na construção da arena em si, mas porque está sendo viabilizada, de certa forma, pelo presidente Zunino, que já está sendo declarado mau caráter sem nem mesmo ser capaz de se defender. É a má vontade com relação a ele, obviamente, e não outra coisa. Fosse qualquer outro, qualquer Mané da cidade, e não haveria restrições. Tenho certeza absoluta.

A outra questão envolve o patrocínio das mangas da camisa do Avaí pelo BMG. Nem sabemos, embora haja conversas sobre isso, se será assim mesmo. Mas, parece, pelos comentários da oficina do diabo, que o martelo já foi batido.

– Pô, cara, mas este banco? Não é aquele que estava envolvido com corrupção no caso do mensalão?

Pois é, então eu quero que alguém me aponte qual empresa envolvida no âmbito do futebol não tem o pelinho do nariz sujo. Me apontem uma. Até a RBS, que financia o Delfinzão, e para quem devemos arriar as nossas calças por causa disso, segundo alguns, tem um contrato vexatório por aqui.

Ou seja, mais uma vez o teste de hipóteses no lugar da construção de verdades.

Qualquer um, em qualquer momento, pode levantar dúvidas sobre uma série de coisas. Eu mesmo sou um cético absoluto sobre várias coisas. Mas as pessoas não podem confundir emoção com razão. Em cima das arquibancadas, na hora do jogo, isso é perfeitamente válido. Mas fora disso se torna um tanto patético.

Ah, não gostou! É, pois é, sou chapa-branca, velho, não sabias?

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2 comentários sobre “Na arena do medo

  1. Aguiar, concordo que temos que seguir, avançar, evoluir, modernizar, sofisticar, desmistificar, etc… Porém, creio que concordes comigo nos seguintes aspectos:

    1- não é a primeira vez que assunto correlato vem a baila, seja ele derivado em reforma,ampliação,cobertura;

    2- somos testemunhas de equívocos administrativos desta mesma gestão, falo principalmente das medidas relacionadas ao torcedor em 2010 e 2011 e o recente rebaixamento;

    3- Final de mandato depois de releição e de já está a 10 anos na presidência (desgastes do cargo).

    Esses itens elencados acima não impedem um novo momento para o Avaí, é claro que desejo ver pujança no Avaí, mas há de convir comigo que temos alguns motivos para ficar com um pé atrás em projetos dessa magnitude. O presidente não goza mais de tanto prestígio perante a torcida em virtude desses itens que citei acima. Não reprovo as intenções, questiono se o momento é suficientemente propício para este feito.

    Talvez não seja medo, só preocupação.

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    • Meu caro Imperador, ele nunca gozou de prestigio nenhum com a torcida, essa é a verdade. Só o consideraram como presidente do Avaí quando vencemos dois estaduais e consegumos o acesso. Ao longo dos anos ele trabalhou sozinho. Ninguém o ajudou. Ainda hoje está assim, completametne abandonado. Ele tira do bolso porque os outros que deveriam ajudar não fazem. Não venham dizer que Eduardo Gomes e outros ajudaram porque eu sei a história de cabo a rabo. Há coisas que não podem vir a público, para não por algumas pessoas da cidade na lama. Nesse ponto, o presidente é íntegro.
      No entanto, durante todos os anos ele montou uma estrutura forte no Avaí. O problema é que os resultados no campo não vieram. isso é fatal em um clube de futebol. Mas o Avaí, do ponto de vista administrativo, a estrutura organizacional, é muito forte.
      O que está acontecendo não é uma rejeiçao ao estádio, eu sei bem disso, é porque ele está á frente do projeto. Se fosse qualquer outra pessoa da cidade a turma acreditava.
      Repito: estão confundindo as coisas. Esse é um projeto da administração e não do futebol. Eu sei bem definir a diferença.

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