Somos todos iguais

No Brasil dos dias atuais as diferenças causam estranhamentos absurdos. Ser gay, negro, branco, pobre, rico, esquerda, direita, índio, nordestino, mulher, avaiano ou figueirense excita nos “adversários” sentimentos mortais, tanto que as mortes e agressões urbanas atuais tem como motivo a diferença numa escolha. Claro que as diversas diferenças tem desdobramentos diferentes. Porém, no fundo, no comportamento, é tudo o mesmo: não aceitar um contrário. E se estabelece a barbárie.

O nosso país é tido como a pátria das diversidades. Porém, esta configuração é uma mentira das mais hipócritas. Não se aceita o diferente por aqui. E fim de papo. Somos líderes mundiais em ataques homofóbicos e as torcidas organizadas no futebol em nosso país são das mais violentas no mundo. Portanto, vamos parar com essa mentira de convivência pacífica por aqui. Isso não existe no Brasil. E algo precisa ser feito.

De nada adianta endurecer a lei. Isso apenas põe na cadeia os meliantes assumidos. Aqueles que não conseguem conviver naturalmente em sociedade. Aqueles que não permitem o contraditório, a diferença, a contraposição e apelam para as vias de fato. Isso não resolve o nosso problema. Porque há os enrustidos. Aqueles que se escondem nas sombras e opinam ou defendem posturas como donos da verdade. A hipocrisia, aliás, é muito grande. Ao mesmo tempo em que grupos agressivos convocam tréguas por essa ou aquela manifestação, por outro lado incitam a violência em outros ambientes. Sua postura não pode ser contrariada, dizem.

O exercício da alteridade deve ser assumido em nosso convívio de uma vez por todas. O de se colocar no lugar do outro. O de fazer parte do grupo adversário, mesmo que não comungue com as suas opiniões. A liberdade, principalmente a liberdade de expressão é o termômetro da democracia, que deve ser exercida no aceitar as diferenças. As sete bilhões de verdades no mundo apenas provam que ninguém é dono da verdade.

O clássico deste domingo poderia ser um divisor de águas e um exemplo de civilidade para o resto do mundo. Estou sendo pretensioso? Estou.

Poderíamos ter, ao nosso lado, irmãos avaianos e alvinegros torcendo juntos, cada qual por seu time, abraçados nas mesmas arquibancadas. Mas quis a emoção ser maior que a razão e ela criou muros, cercas e caras feias.

Vamos separados, um aqui e outro ali, mas que seja apenas uma formatação casual. Quem sabe, num futuro nem tão distante, os humanos daqui sejam realmente inteligentes e não se separem tão idiotamente pelas escolhas que fazem.

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3 comentários sobre “Somos todos iguais

  1. Aguiar, torço para que clássico esteja no nível do Berbigão do Boca. Festa, amizade e nenhum tumulto. Como ocorreu na festa do BB, a segurança no clássico tbm deve ser caprichada não só no campo como entorno da Ressacada. Que vença o melhor. Então da Avaí. Hehehe

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  2. Acredito que o sujeito que sai de casa já com a intenção de brigar (e tem muitos que fazem isso) é um verdadeiro idiota. Não chamo de torcedor um ser desse tipo. As pessoas misturam rivalidade com inimizade, e infelizmente a imprensa ajuda nesse quesito, colocando sempre o seu time favorito como o melhor, o mais capaz, etc.. o que ocasiona aquele espírito de guerra entre as torcidas. Eu quero que essa rivalidade seja só em campo, que deixemos o favoritismo pro time doladelá, que nosso time possa jogar com a humildade e a garra azurra de sempre, assim, se Deus quiser, a vitória virá ao natural.

    Vai Prá Cima Deles Leão!

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