Sem medo de ser avaiano

No final do ano passado e neste começo de temporada, se ninguém percebeu ainda, chamamos todos nas chinchas, como dizem os gaudérios. Entre nós, torcedores, nós e a mídia, nós e os jogadores, nós e os diretores do Avaí, enfim, foi uma lavação de roupa federal, que deu a dimensão exata do que precisamos para o Avaí daqui para frente: honra, respeito e motivação. Pra todos os lados. A soberba nos subiu à cabeça e isso não é coisa de avaiano.

Com isso, as derrotas e fracassos surgiram. Para reverter esse quadro precisamos mudar esse comportamento e assumir a avaianidade perdida. As pessoas, daqui pra frente, terão que se provar macho ou fêmea, e que querem o Avaí fora dessa. Ou melhor, dentro de onde nunca deveria ter saído.

Diretores precisam assumir que trabalham em prol do Avaí e não de contratos comerciais.

Alguns blogueiros, principalmente, ficaram nessa de cara de paisagem. “vamos bater porque é bom, vamos bater porque é bacana.”

Conversa! Ninguém quer bater no Avaí. Mas, também, ninguém quer dar o braço a torcer.

Pois eu faço uma provocação acentuada: ou está todo mundo dentro, ou não há mais como reverter essa situação. E quando digo estar dentro não é para paparicar o presidente ou as atuações da diretoria. E nem passar a mãozinha na cabeça de jogadores. Cada um sabe onde o calo aperta, que erro cometeu, que bobagem foi executada para deixar a nação avaiana apreensiva e o clube na maior pindaíba dos últimos anos, do ponto de vista administrativo.

Não gosto daquele tipo de motivação melosa, de auto-ajuda, de declarações de amor ensebadas. Afastem de mim esse cálice. Eu gosto é de provocar mesmo. Dar de dedo e fazer o cabra provar que é bom.

O mimimi e o paparico são para os fracos. Exerço, sem remorso algum, o reforço positivo, apostando no que o sujeito tem dentro dele para se sobressair, para se provar. Tem que se superar. Como já disse reiteradas vezes, a Ressacada é o lugar onde os fracos não tem vez. A propósito, tem gente estranha que convoca paz nos estádios, torcidas de mãos dadas e no dia seguinte atiça a discórdia entre seus próprios torcedores. A isso chamamos de hipocrisia, das mais grossas e absurdas. Mas, doença a gente cura com remédios e não com palavras.

Sei de um monte de gente que ficou puta da vida comigo. Não tem problema. A resposta não é pra mim, é para o Avaí. Eu não sou o foco. Se ficar com raivinha de mim, mas começar a dar de dedo sincero no Avaí para ele acordar, está comigo. Se o cabra tiver uma opção política, sexual, religiosa ou matemática divergente da minha, pouco importa, desde que ele apóie o Avaí.

Não estou propondo pacto nem qualquer ação abobada desse tipo. Estou dizendo que está na hora de aqueles que se dizem avaianos levarem este time nas costas. Eu fui a todos os jogos este ano, acompanhei as partidas fora pelas rádios e pus a mão no peito e internamente disse para cada um dos jogadores:

– Ei, eu sou mais avaiano do que tu, mas eu não posso entrar em campo. Então jogue como se estivesse com as minhas pernas, com os meus pulmões e faça esse coração aí pulsar igual ao meu. A recompensa é a glória que irás proporcionar à nação de torcedores mais fanáticos que tu já conhecestes.

Está na hora de o torcedor avaiano voltar à Ressacada. Fazer daquele lugar querido o caldeirão que sempre foi. Pode vaiar, pode xingar, pode aplaudir, pode chorar ou pode fazer o maior e mais tremendo esporro que desejar. Mas tem que transformar um time que é raçudo, casca-grossa e aguerrido, como sempre queríamos que fosse um time avaiano, num time com a nossa alma. E ela está nas arquibancadas. É de lá que ela entra em campo. Basta que os torcedores a doem para seus jogadores.

– Ah, mas a diretoria nos expulsou!

Dane-se. Aquilo lá é nosso. Nós somos os donos da Ressacada. Quem está lá apenas administra o que é nosso. Nada de vandalismo ou invasão aloprada, mas definitivamente temos que voltar à Ressacada, do jeito que der, da maneira que se achar melhor.

O time não agrada? Pombas, é líder do campeonato e vem ganhando como quer.

O campeonato é fraco? Paranéô, deixa de ser fresco e vá ao estádio. O campeonato catarinense é assim mesmo, duro de se ver e encardido. Ou teve algum campeonato comparado a um torneio europeu?

Que voltemos ao estádio. O Avaí precisa de seus avaianos.

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