No campo dos apitos uivantes

Este texto é do tempo em que escrevia no blog da Chuleta Avaiana, dos meus amigos Ronaldo Leal e André Couto. Porém, ainda é muito atual. A apitação do senhor Jefferson Schmitt, no jogo de ontem contra o Marcilio Dias, foi de matar passarinho no ovo. Por sorte, o nosso time venceu. Mas, fica a dúvida.

 

Tem uma coisa que eu acho engraçada em relação a quem comenta arbitragens. Dizem, os “ixpecialistas”, que errar é humano e que a televisão concorre covardemente com ele. Embora pareça ser verdade, há uma componente ridícula nessa afirmação.

Sim, quem assiste a um jogo pela TV tem a seu favor câmeras nos mais diversos pontos a nos mostrar até o intestino da bola. Algumas câmeras são capazes de fazer ultrassom de uma jogada, revelando nuanças que sequer imaginávamos. Uma transmissão de futebol, quando bem dirigida, é capaz de transformar uma singela pelada numa homérica partida, digna de final de Copa do Mundo. Claro, eu falo das boas transmissões, pois a rede que está encarregada de fazer isso aqui no anódino Delfinzão fica devendo até pra Xou da Xuxa.

Bom, mas eu quero falar é do árbitro de futebol, aquele sujeito mal encarado, senhor de si, dono de empáfia napoleônica, de nariz empinado, que é convocado para administrar as regras do jogo e que quase sempre comete cirurgias nas partidas de futebol, creditando-se a isso um tal “erro humano”, normal e aceitável.

Num jogo de futebol há gente de todos os tipos e nas mais diversas funções. Há os policiais que estão ali para cuidar da segurança, há os médicos e enfermeiros para socorrer alguém, há os jornalistas para dar palpites e comentar ou narrar um jogo, há os torcedores que vaiam, xingam e aplaudem seus times, há os técnicos elaborando estratégias para vencer a uma partida, há os vinte e dois jogadores a correr atrás da gorduchinha (a bola!), há os reservas esperando uma vaga no time como quem corre atrás de um prato de comida, há os massagistas e preparadores físicos a auxiliar aos treinadores, há os dirigentes pensando numa forma de vender seu craque por um bom preço, há os pipoqueiros e vendedores de refrigerantes para nos atrapalhar quando um lance é importante, há até os quero-queros a botar ovos quando um zagueiro dá um carrinho por trás no atacante.

Cada qual com suas preocupações. E todos são capazes de afirmar que num lance duvidoso o árbitro não marcou porque não quis.

Então qual a razão de um sujeito, que é pago para fazer só aquilo (anotar os lances), ou para ver um lance difícil, ou uma falta, não marcar e ainda alega não ver, ou, pior de tudo, que não “houve intenção”, acabando por deixar todos aqueles que vêem a jogada alucinados pelo seu erro? Se todos num estádio, até aqueles que ficam a dezenas de metros do lance, vêem uma falta ou um pênalti, sem ajuda da TV, sem replay, sem efeitos especiais, como é que um cidadão que está ali perto, que não tem outra preocupação que não seja VER o jogo, não vê? Às vezes são erros que decidem um campeonato e jogam por terra meses de investimento e preparação.

Queria ver alguém que defende árbitros pelo “erro humano” defender um cirurgião, quando estivesse numa mesa, sedado, e ele, o médico, ao invés de tirar-lhe o rim retira o fígado, alegando que “não houve intenção”, foi só uma questão de “interpretação”.

Árbitro que erra um ou outro lance é burro. Precisa se afastar e voltar a estudar a regras. Árbitro que erra consistentemente, e contra o mesmo time, é mal intencionado. Precisa ser processado e preso por má-fé.

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2 comentários sobre “No campo dos apitos uivantes

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