Uma clientela sem produto

A semana que passou foi premiada com um depoimento “nervoso” de um torcedor, o sr. Estevão Roberto Knabben Ribeiro, cuja bronca se dava por não ter conseguido adquirir uma camisa do Avaí, haja vista ter feito aniversário neste mês. A declaração emblemática do torcedor pode ser lida aqui (http://omeuavai.blogspot.com/2011/12/e-possivel-deixar-de-ser-avaiano-by.html).

Bom, a partir daí surgiu a discussão a respeito de um torcedor ser ou não um cliente do clube de sua paixão, se essa categoria de cliente possui os seus “direitos”. Quero dizer que não e não.

Ser cliente é quando se consome produtos ou serviços de determinada empresa ou de um profissional qualquer. Revela a famosa “freguesia”. O sujeito é assiduo enquanto o produto ou serviço lhe convém. É quando aquilo para o qual se é cliente o satisfaz, do ponto de vista do custo e beneficio. Por extensão o clientelismo é o tipo de relação política em que uma pessoa dá proteção a outra em troca de apoio, estabelecendo-se um laço de submissão pessoal que, por um lado, não depende de relações de parentesco e, por outro, não tem conotação jurídica. Assim, também, a clientela é o conjunto de clientes, de fregueses.

Vejo isso como algo que nada diz respeito a torcedores de futebol.

O torcedor de uma agremiação esportiva gosta de seu clube e do time ocasional por suas cores, sua história e suas conquistas. E por algo intagível, não mensurável, implícito na escolha que se faz por aquela agremiação. É uma paixão que não é medida pela quantidade de idas ao estádio ou de gols comemorados. Não dá pra quantificar o quanto se ama e adora um clube de futebol. Isto está implícito no âmago do seu ser. Lá no fundinho você sabe, mas não consegue declarar. Apenas age.

Ser cliente é uma opção pelos produtos, não pela paixão. Eu já comprei uma camisa do Milan sem ter uma única gota de lágrima rolada na face quando o time deles joga. Aliás, não faz a menor diferença quando joga ou se joga. Já, ao contrario, acompanho os jogos do Avaí, sem precisar ter usado uma única faixa, camisas, meia ou sequer um produto com a cor do Leão. A propósito, como torcedor, não faz diferença se as camisas do Avaí têm costuras, botões, golas,ou cerzidos. Isso, para um torcedor, não interessa, apenas para o freguês, o cliente.

Quanto a ter facilitada ou negada a minha participação nos jogos, independe dos preços dos ingressos ou de uma mensalidade de sócio. Se tiver condições, estou lá, caso contrário…

É bom que se saiba que para ser torcedor não é obrigatório que haja uma contrapartida. Se a administração do time para o qual a gente torce fizer barbeiragens, quem sofrerá para pagar as contas serão eles, os diretores. O torcedor vai acompanhar na alegria e na tristeza, dependendo de suas condições físicas e financeiras, coisas que não o impedem de torcer.

O cliente lamenta quando a loja fecha, mas procura outra. O torcedor tem o coração partido e viverá o resto da vida com saudades de seu amor.

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8 comentários sobre “Uma clientela sem produto

  1. Aguiar,
    Claro que relação clube e torcedor tem suas características específicas e diferentes, mas ainda assim, o torcedor é um cliente – na minha opinião de marqueteira…rsrsrs. Concordo que nunca deixaremos de ser torcedor, mas a torcida avaiana já provou que somos clientes descontentes, onde neste último ano a média de público que se apresentou no estádio foi ridícula, o que se viu foi a maior prova de insatisfação por parte de clientes. Não deixamos de ser torcedores, não deixamos a nossa paixão, mas deixamos de ser clientes e consumidores: deixamos de pagar a cadeira, deixamos de ir ao estádio e deixamos de consumir os produtos. Portanto continuo defendendo a tese de que os torcedores precisam ser tratados como CLIENTES.

    Abçs

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    • Minha cara, a parte de consumidor é uma aposta do clube. Ele tem que se financiar. Todo clube de futebol moderno precisa de dinheiro e aposta na valorização dessa paixão. Por isso que os clubes de futebol, ajudados pela mídia, exacerbam essa relação.
      Eu estou falando da parte que cabe ao torcedor. Ele se “vende” ao clientelismo se quiser. O torcedor comum não tem que cair nessa.
      Faço a seguinte comparação:
      Todo mundo gosta de comprar no Angeloni. É um dos melhores supermercados da região. Tem espaço gourmet, vende bons produtos, estacionametno chique. Somos clientes fiéis dele. Se a partir de amanhã ele decidir não vender mais pão ou carne, ninguém se importará. Embora façamos biquinho, podemos optar por outro supermercado.
      Com clube de futebol a relação é outra. Não queremos agradinhos, mas apenas que se faça um bom time.
      O Avaí, hoje, tem um belo estádio com todas as regalias, tem cadeiras, acomodações confortáveis nos camarotes vips, elevadores para as sociais, tem um bom trabalho de categorias de base, tem um estrutura organizada. Pergunto: você vai para frente do estádio bater palmas para isso? Não, você quer um time de futebol que jogue e seja campeão. Não há marketing que resolva isso.
      Cliente é pra comprar pão e não para torcer para time de futebol.

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  2. O Melhor marketing de um time de futebol é bola na rede (vitória), do contrário, é chorar por que não consegue alcançar o baleiro! Pode implementar a melhor estratégia possível, se não há categoria, fica complicado mesmo. Lá na Ressacada se tem um departamento que precisa funcionar primeiro é o futebol, do contrário, mofaremos… (e os outros departamentos também)

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  3. Na minha modesta opinião o torcedor não é cliente! Mas passa a ser no momento que adquire um produto do clube. Contudo, essa pessoa que pode vir a adquirir um produto do clube (que pode ser um ingresso, uma camisa, uma caneca, etc) pode sequer ser torcedor deste ou de qualquer outro clube. O importante é o clube RESPEITAR os torcedores e os clientes!

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  4. Aguiar,
    Concordo que sem futebol o resto não funciona, mas imagine seu time com um bom futebol e péssimo atendimento, com certeza, e reforço, não deixaremos de ser torcedor, mas podemos deixar de ser clientes: deixamos de ir ao estádio e deixamos de consumir produtos.Mas como disse o Gilberto: O importante é o clube RESPEITAR os torcedores e os clientes!

    Abçs

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    • Carmen, experiência própria, quando se é torcedor vamos ao estádio independente de um afago na orelha ou não. Eu já fui a jogo horríveis, na série B, na chuva e no frio e nem lembro dos produtos que o Avaí oferecia. Aliás, não fazia questão se a camisa era triangular, quadriculada, se me atendiam mal ou bem na entrada. Se me atendiam bem, passava batido, se me atendiam mal, reclamava, mas no dia seguinte estava lá de novo. Lamento, mas isso são frescuras do mercado capitalista, torcedor quer ver mesmo é um time jogar.

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