Derrota em modo natural

E começou a saga.

Torcer pelo Avaí, hoje, em campeonatos, é um exercício de paciência, porque o desenrolar das competições não nos reservam horizontes felizes. Claro que falo assim porque não faço parte daquela turma que reza pra santa dos desesperados, posta as mãozinhas, pede ajuda para santos de pau oco, chama pelo sobrenatural de almeida ou declama o mantra do “eu acredito”. Sou torcedor de arquibancada, sim, quero ver meu time vencer, sim, me comovem as vitórias histórias, sim, mas a razão me acompanha.

Por isso, evidentemente, não farei terra arrasada já na primeira rodada, mas sugiro que o torcedor comum compre uma calculadora das boas e comece a fazer contas, porque a nossa posição da tabela ficará assim até a última rodada. E raramente eu me engano.

E não sou eu quem diz isso. O próprio deus dos alucinados declarou isso abertamente em um canal de TV, logo após a partida. Afirmou que vamos lutar para não cair. E é esta razão aberta e sem maquiagens, com excesso de realidade, que me condiciona a admitir que já estejamos próximos da série B. Ah, você, leitor, acha que estou exagerando? Então, me diga, qual investidor apostaria num clube já, no começo do campeonato, cujo principal jogador e capitão admite sua incapacidade de alçar voos mais altos? Se precisamos de grana para nos mantermos e pagar as tais dívidas, deram um tiro no pé, o deus dos alucinados e junto com seu presidente vaidoso.

Eu acompanho futebol desde criança. E continuo a assistir a jogos das mais diversas agremiações de países diferentes e de campeonatos de todo tipo. Em qualquer lugar, os times entram em campo para vencer, para fazer diferenças nos campeonatos, para se impor, mesmo que alguns sejam compostos por singelos pernas de pau. Todos, sem exceção, vem com brilho nos olhos e apostam em posições melhores nas tabelas de seus campeonatos, mas nunca declarando que são incompetentes ou que são fracassados virtuais.

No Avaí, contudo, é diferente. Afirmam, sem corar o rosto lavado, que estão no campeonato só para participar, que sua ambição é singela e humilde demais, que são cagões declarados e que o torcedor não espere grandes partidas, porque é assim mesmo.

Bom, se é assim, posso ficar em casa e nem mais me preocupar em ir ao estádio, não é mesmo? Afinal, não teremos mais uma entrega total e absurda como deveria ser de um time de futebol. Afinal, não devemos fazer aventuras.

A sina do cavalo manco

Não fui ao jogo de estreia do Leão, pelo campeonato brasileiro, porque, com toda a sinceridade, tinha coisa muito mais importante a fazer, que era almoçar com minha mãe e com meus filhos e dar aquela dormidinha de domingo à tarde.

– Então o Avaí não é importante em tua vida?

Elementar, meu caro, como diria o famoso detetive da Baker Street. Sim, claro, sou torcedor, mas não dou laço pra cavalo manco.

E é nisto que o Avaí tem se tornado. Um singelo e simpático cavalo capenga, que não corre mais, não se esforça, prefere ficar à sombra comendo a graminha que lhe dão, sem se animar para ir atrás de um regalo mais consistente.

Só para se ter uma ideia, estamos na dependência de boas arbitragens para terminar bem nossos jogos, porque aquilo que se preza no futebol, que é um time razoável fazendo uma boa partida, ou mesmo uma partida de futebol jogada para estimular a volta da torcida, não existe.

Claro que o Héber nos prejudicou na final do Catarinense. É evidente que a tesourada do jogador do time baiano é pênalti aqui, na Tailândia e nas Ilhas Virgens. Mas fica difícil esbravejar por uma melhor sorte para um time que não se ajuda e para uma diretoria que dorme em saco esplêndido. E aí a desculpa arrumada, mesmo sendo real, são as má arbitragens.

Quero poder voltar para a Ressacada e dizer que ali é o melhor lugar do mundo, mas a situação não nos permite. E, para piorar, a contagem regressiva já começou para aquilo que todos já imaginam que vai ocorrer ao fim do ano. Infelizmente.

Com emoção, mas sem aventuras

E a Chapecoense foi campeã. Não errei meu prognóstico, queria muito queimar a língua, mas deu a lógica. Com méritos ou não, com força da mídia ou não, com a ajuda da arbitragem, sim, a Chapecoense levou.

Reclamei aqui, por diversas vezes, que o Avaí, por não ter investido e achado que tinha um time competitivo, não teria forças para chegar. Sim, jogou a final e méritos por isso, mas eu quero é título. Desculpa se isso incomoda aos babões de ocasião que pensam pequeno, mas eu não me contento com jogar para participar. Aliás, curioso que quem defende esta lógica, torcia para o Avaí ser campeão. Se contenta com pouco, mas quer ser campeão? Não entendi.

Como também não entendi a entrada de parte da torcida do Avaí no coitadismo direcionado à Chapecoense. Já disse em outra oportunidade que parece ciúme ou inveja. Passaram atestado de o Avaí precisar do tal contra tudo e contra todos. A mistura de situações, como se o Avaí fosse jogar contra o time que desapareceu naquele acidente, chegou à beira do ridículo. Foi criado um clima e caíram como patinhos. Tansos!

O Avaí precisava mostrar, sim, o que ele é, um gigante no futebol catarinense, sem se importar com as vizinhanças. E foi o que fez. Mostrou, em razão disso, que é um time de muita força física, que joga num esquema retranqueiro, todavia apostando em contra-ataques fulminantes, rasga calções e camisa para tentar uma jogada, porém peca achando que um jogador em fim de carreira poderia decidir. Sempre ouvi e li um “quem sabe” para justificar Marquinhos em campo e todos sabemos, quem acompanha futebol, que apostas são riscos. Deu nisso.

Na verdade, parabéns ao grande e eminente presidente avaiano, a última bolacha do pacote e que não faz aventuras, por termos perdido o título quando o Avaí mais precisava de um time. Perdemos o título exatamente no segundo turno, quando foi decidido levar assim mesmo para ver se ia dar certo. Perdemos o título por esta velha e batida fórmula de jogar com o que tem. E quem não ousa ou não investe não chega, pode ser em qualquer lugar da vida, muito mais ainda num negócio altamente competitivo como é o futebol.

Méritos para os jogadores. Mostraram ser capazes, embora limitados. Mostraram a garra avaiana, ainda que seja pouco para ganhar campeonatos. Foram dignos, lutaram, suaram e se esforçaram, não deixando a desejar. Mesmo Marquinhos, de quem sou crítico, que ainda não entendeu que deu, que acabou, que as chuteiras já estão pesadas e os joelhos travados, ainda assim fez o que foi possível e fracassou porque não tem mais condições.

O Avaí, agora, vai para a disputa do Brasileirão como sério candidato ao rebaixamento. Não me iludo pensando ao contrário. Vai ter que lutar muito, suar muito, se esforçar muito e se dedicar como nunca se quiser se manter por mais um ano neste difícil campeonato. A falta de ousadia e gestão de clube feita pelos homens da loja, como se fosse empresa, não gastar para não ficar no vermelho, será cruel para com a torcida, mais uma vez.

O balanço do Avaí no 1o. semestre é um fracasso na Primeira Liga, um fracasso na Copa do Brasil e o vice campeonato estadual. Ah, mas estamos na Série A, porque o importante é não fazer aventuras.

O pescoço que suporta a melancia

O único clima de tensão que existia na partida entre Chapecoense e Avaí era o da decisão em si. Era ela que nos remeteria ao clima de estádio cheio, de gente roendo unhas, de agonias, choros, tremores, risos, olhos arregalados e conquistas a serem guardadas. E de um futebol jogado de lado a lado. Nada mais que isso. E já seria o suficiente para se celebrar e para se mobilizar toda uma comunidade. Mas, ao que parece, há personagens que quiseram aparecer mais que o sol.

Nos tempos em que o Zunino era o presidente do Avaí eu me indispus com muita gente que, ao invés de apontar os erros administrativos (e que foram muitos!) e dar soluções plausíveis, viviam apontando coisas de nível pessoal até então inexistentes. De ladrão a formador de quadrilha, tudo foi dito dele. Mas nada de se estabelecer uma alternativa. Muitos quiseram aparecer e se mostrar como sabichões sem que houvesse algo de verdadeiro naquelas acusações. Enquanto se precisava de um norte para determinar a vida do Avaí, esta gente preferia derrubar o clube, apenas e exclusivamente por uma raivinha de moleques babões.

E no Avaí é assim. Não sei se na seleção da Samoa Oriental, na da Finlândia, se no Flamengo ou no Corinthians temos Zé Ruelas deste porte, uns ninguém quaisquer querendo ser os reis da cocada, os últimos gases da Coca, os pêssegos sem caroço, mas no Avaí tem, e numa quantidade absurda. E que aparecem nas horas mais impróprias.

Se já não bastasse a estultícia do jogador que se diz torcedor dentro de campo criando a notícia patética da semana, pelo seu chilique boçal e destemperado após o jogo o suficiente para se administrar uma causa inglória, ainda surgem torcedores na internet e um colunista fracassado nas redes de TV, alguns desocupados, a inventar que o time da Chapecoense comemorou antecipadamente o título do estadual numa boate. Seria trágico se não fosse cômico. Ou vice e versa.

O fato é que, às vezes, dá vontade de abandonar tudo, de uma vez por todas. A estupidez desnecessária e imbecil reina pelos lados da Ressacada. Ali há uma vontade enorme de se pendurar uma melancia no pescoço e se alojar num poste, que faz uma fila maior do que aquela na Diomício Freitas. Eu fico pensando: pra quê? Qual a necessidade de ser idiota a este ponto? Que faculdade de imbecis é esta que cria um clima desnecessário e absurdo às vésperas de uma decisão?

E eu continuo perdendo tempo com isso.

Cansa!

As lições nunca aprendidas

Os podres e meias-verdades que surgem agora de dentro dos intestinos da Ressacada revelam que aquele papo de “vamo vamo, Avaí” é conversa mole pra boi dormir. A velha fórmula de acasalamento de “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza”, algumas vezes usada no mundo da bola, é apenas pra inglês ver.

Quando eu larguei o Avaí, lá pela metade do ano passado, ao perceber o que viria pela frente e conhecendo como se faz o bolo ou quantos paus se usa para construir uma canoa, muita gente me criticou, por me achar oportunista. Por sair quando a coisa ficou preta. Não sou dono da verdade, não tenho a pretensão de saber mais do os outros e nunca em minha vida torci contra o meu time, mas tenho alguns anos de estádio e outros convivendo com pessoas de dentro do estádio. O que está ocorrendo era perfeitamente previsível e foi maquiado por um acesso caído no colo, da forma como boleiros fazem quando querem, ou quando lhes dão condições de jogar. Não foi, jamais, pelos belos olhos do presidente.

Este mesmo presidente que está aí, querendo aparecer em tudo quanto é rede de TV ou nas páginas de jornais, enquanto que pelas suas costas o fogo está lambendo a cortina, era aquele que, quando vice do Amado viu a vaca indo pro brejo com banquinho, cordinha e baldinho e não levantou um dedo para ajudar. E se levantou e foi podado, como dizem e eu não acredito, era para ter denunciado, porque deveria ser uma atitude para o bem do Avaí e não para fomentar ilusões frouxas.

Mas, como as pessoas se movem apenas por resultados, numa bipolaridade absurda, ele foi carregado nos braços como imperador romano após ter vencido as tropas inimigas. Eu, no meu canto, nunca me enganei.

Neste ano, fiz postagens apontando exatamente esta bobagem de não se fazer aventuras, de cachorro que mete o rabinho no meio das pernas com medo do escuro. Clube de futebol que tem medo de campeonatos, que não investe, que não dá a cara pra bater, deve fechar as portas.

E que se aprenda uma lição importante, que muitos faltaram à aula na escola: Na vida, assim como no futebol, o que ganha jogos e conquista campeonatos é a humildade e nunca a soberba. Porém, as pessoas que estão ali dentro da Ressacada vão aprender? Jamais!

Que siga a valsa, porque ainda virão mais tormentas.

E por falar de Avaí…

Em condições normais de temperatura e pressão, o Avaí sofreria para vencer a Chapecoense neste primeiro jogo da decisão do Catarinense – 2017. Bom, nesta hora dezenas de milhares de avaianos dirão que eu não sou torcedor de verdade, porque não acredito, que reclamo do time e blábláblá. Como não escrevo para agradar ninguém, vou continuar.

É fato que o Avaí tem um time fraco e limitado. Se jogasse o primeiro turno como jogou no segundo, fatalmente estaríamos ali embaixo brigando contra o rebaixamento, junto com os rivais que assistiram ao jogo deste domingo pela TV. Mas, como o SE não joga, fomos para a final numa decisão história e com chances iguais, exceto pela vantagem que o time do Oeste tinha. Isso mantinha a probabilidade de reverter tudo muito pequena; qualquer um, até o mais afoito e crédulo torcedor sabia disso.

Ocorre que estamos falando de Avaí, e a camisa do maior de Santa Catarina pesa uma barbaridade. Já provamos isso e já vencemos quando tudo estava contra. Os reveses na história são gritantes, mas as conquistas foram gloriosas, tanto que festejamos todos os títulos e resultados obtidos. Dessa forma, havia uma chance, haja vista que a Chapecoense veio para empatar, era nítido.

Entretanto, quis o destino (??) que o jogo da final fosse arbitrado por um senhor já em fim de carreira, com um currículo de tropeços e cagadas vibrantes e fenomenais na sua passagem pelos campos de futebol, e coberto de vaidades. Héber Roberto Lopes ganhou prestigio e visibilidade devido muito mais às suas trapalhadas do que propriamente por arbitragens pedagógicas. E, lá pelas tantas, nesta partida, estragou o jogo expulsando erroneamente o jogador Capa, do Avaí, e, logo mais, para se redimir e usar da estultícia comum de 100 dentre 100 árbitros, compensou expulsando, também, o jogador da Chapecoense. Estragou o espetáculo porque trouxe para o campo de jogo uma batalha que não existia. Enervou jogadores, incomodou as duas torcidas e desprestigiou o bom senso nestas duas taquaradas de non sense.

Se não bastasse, o ingrediente que faltava neste jogo, todavia, foi que após a expulsão de Capa, Marquinhos saiu do jogo. É bom ressaltar que ele foi corretamente substituído após a expulsão do jogador Capa, para que os perdidos e nervosos técnicos avaianos (sim, se você não sabe, temos dois treinadores, Evando e Claudinei) fizessem a recomposição do meio campo. A questão é que ao colocarem o jogador errado, Mauricio, escancaradamente nervoso, continuamos com um a menos e foi aí que os verdões do oeste cresceram.

Marquinhos é um caso à parte. Ele extrapolou na roupa suja lavada na rua. Sua famosa língua solta é um prato cheio para quem gosta de enterrar o Avaí. Ele deve entender, também, e já é bem grandinho para isso, que numa final todos devem estar ao lado do grupo, seja jogando ou no banco de reservas. Ele não é superior a nada e a ninguém para largar sua verborragia como a última bolacha do pacote. Se estiver descontente com os hesitantes treinadores avaianos, como demonstrou efusivamente em sua entrevista, deve se resolver lá dentro, lá nos corredores da Ressacada, e não à mídia para, quem sabe, chamar para si uma martirização quixotesca.

Todos os problemas do Avaí foram expostos, portanto, neste jogo e, mesmo assim, a dureza encontrada pelo time do Oeste foi enorme. E, do jeito avaiano de ser, nesta semana todos os problemas serão sanados, os olhos terão dedos enfiados e depois assoprados. Amores e perdões serão renovados e, para domingo, aguardem um Avaí comendo a bola e chutando acima do pescoço por cada centímetro de campo.

Por tudo isso, percebe-se que a Chapecoense ainda não ganhou o título como muitos querem e mostrou que não tem essa força toda. Aliás, uma força construída estupidamente pela mídia colocando aqueles jogadores numa pressão desnecessária por causa dos acidentados. O time da Ressacada deve aproveitar isso e reverter a pressão, pelo que se está desenhando. Lembre-se de que estamos falando de Avaí Futebol Clube.

(E lembre-se, também, que parece que pagaram uns atrasad… ah, deixa pra lá!!!)

As cabeças ocas do futebol

No próximo domingo começam as emoções de mais uma disputa de título do Campeonato Catarinense, em dois jogos entre Avaí e Chapecoense. São os dois representantes do Estado na elite do futebol brasileiro e prometem partidas de excelente nível técnico, muita cordialidade, empenho e…

Peraí, peraí!

Nível técnico é possível. Empenho? Vai, quem sabe surja uma bufunfa por aí e os jogadores dos dois times se dediquem a jogar alguma coisa parecida com futebol. Mas cordialidade? Esticou-se uma corda bamba para isto.

É sabido que existe, em Santa Catarina, uma rivalidade acirrada entre Capital e Interior. Isso não é de agora. Não é deste campeonato. E nem se sabe ao certo como começou, mas está profundamente encravada na mente de todos os moradores deste Estado. Que dizer, de todos, não, mas de boa parte, sim, e de lado a lado. Ninguém é santo nesta história. Que não me apareça nenhum coroinha a se fazer de inocente.

Há constantes trocas de acusações de moradores de um lado e de outro do Estado, que não vou reproduzir aqui porque meu blog não é lata de lixo. Mas quem é da Capital e viaja para alguma cidade além do Planalto sente esta animosidade encalacrada por lá. E quem mora em outras regiões do Estado e resolve vir até o litoral é tratado como cachorro sarnento. Estou mentindo? E o futebol, é claro, esta máquina de fazer malucos, tratou de elevar esta rixa à potência máxima.

Há diversas teses levantadas ao longo do tempo tentando entender a razão desta luta tribal e insana, coisa de gente mal amada. Eu já ouvi e gostei de uma muito interessante, que fala da geografia e da história do Estado, onde, no passado, devido à precariedade das estradas e pela formação cultural de cada região, acabou por separar a todos em fronteiras mais parecidas com a antiga Cortina de Ferro do Leste Europeu. Quando as estradas foram construídas e todos puderam interagir, já havia um estranhamento e uma distância entre os povos muito grande.

O jogo deste domingo está revivendo esta animosidade estúpida em uma proporção gigante. Muito de coisas mal resolvidas do passado foi reanimado. Mas a nova inquietação diz respeito ao trágico acidente aéreo que vitimou jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas em Novembro passado e colocou não apenas a Chapecoense, mas o resto do mundo de luto. E neste aspecto, a animosidade ressuscitada das entranhas deste ódio tolo entre Capital e Interior, trouxe para o palco da vida comum, que é do que se trata o acidente, as grosserias de arquibancadas em relação aos cuidados que se teve com a instituição “chapecoense”.

A mídia, com seu marketing esdrúxulo, tratou de assumir o estado de cão sem dono que se tornou o tema Chapecoense, transformando-a em mais daquilo que não é. E as demais torcidas, principalmente daqui de Santa Catarina, adotando uma raivinha juvenil, coisa de meninos mimados, faz beicinhos e trata os “chapecoenses” com uma fúria ainda mais acentuada, talvez por ciúme ou por algum sentimento menor, vá saber.

Em Criciúma, no último jogo do returno, um bando de retardados que se dizem torcedores, daqueles que não honram as cuecas que vestem, tratou de deixar bem claro de qual lado da humanidade eles estão, e que não é o lado do bom senso. Já na Capital, há uma meia dúzia de alguns sem noção que parecem querer enveredar pelo mesmo caminho.

A situação deve ser encarada sem se confundir os atores. A Chapecoense que vem jogar com o Avaí o primeiro jogo da final é um time de futebol, que disputa o campeonato e pretende ser campeã, assim como o meu Avaí. A Chapecoense que sofreu as agruras daquele acidente, e que merece o nosso respeito, está em outra esfera de conversa, daquelas que pode nos fazer mais humanos e conscientes de nossa vulnerabilidade. É o que importa e para que todos aprendam, mídia, torcedores e jogadores.

Espera-se que, de uma vez por todas, essa fúria tribal, de selvagens acéfalos, seja encerrada, pelo bem da sensatez e das boas práticas do esporte. Aquela atividade, notavelmente conhecida, onde se deve saber perder e saber ganhar e que vença o melhor.